O Humano e o Fenômeno Religioso

Reparo
Penso
Observo
Paro por um segundo
Olho pra dentro de mim,
e pronto.
Eu me irrito facilmente.

O Fatal

Ditoso o vegetal, que é apenas sensitivo.
Ou a pedra dura, esta ainda mais, porque não sente,
Pois não há dor maior do que a dor de ser vivo.
Nem mais fundo pesar que o da vida consciente.
Ser, e não saber nada, e ser sem rumo certo,
E o medo de ter sido, e um futuro terror...
E a inquietação de imaginar a morte perto,
E sofrer pela vida e a sombra, no temor
Do que ignoramos e que apenas suspeitamos,
E o túmulo a esperar com seus fúnebres ramos...
E não saber para onde vamos,
Nem saber donde vimos...

Rúben Darío

Digging the Past

Sometimes
I don't like the past
But then, I look to all the beautiful things
it brought to my present...
and smile.

The future?
Well,
the future we all know is "uncertain
and the end is always
near."

Nós Dois

Aqui no nosso mundinho
Somos nós dois que tomamos conta
fazemos as regras
como se fôssemos gente grande
e como se entendêssemos de tudo

Mas quem se importa
se a gente é feliz
e lidamos com nossos "quê dos quais
e poréns"
Juntinho a gente se entende
e tenta entender esse mundo
mas tudo aqui, do nosso mundinho mesmo

Não que faça sentido
que seja bonito ou inteligente
mas acho que é só pra expressar.

:)

Entrevista - Alfredinho ( Bip Bip)

Seguindo a dica do professor José Eudes, fui até Copacabana atrás do lendário bar Bip Bip para entrevistar o famoso Alfredinho, dono do boteco e mau humorado de carteirinha. Porém, esse rótulo de mau humorado muitas vezes é um equívoco, pois o Alfredinho que me recebeu abusou da simpatia e humildade. Calorosamente acomodado na mesa dos velhinhos, tive a oportunidade de fazer algumas perguntas a essa figura da noite carioca.

Lucas
- O Bip Bip é um bar que tem mais de 40 anos. Como que ele se manteve até os dias de hoje, que fator foi mais importante para o bar continuar tão conhecido e freqüentado?

Alfredinho
– Eu comprei o bar em 1984. Antes disso ele era um estabelecimento comercial comum, vendia batidas, doses de bebida, esse tipo de coisa. Quando eu comprei, trouxe a música pra cá. Porque eu sou um apaixonado por música, quem não gosta de música é maluco! Além disso, o papo é muito importante também. O pessoal vem pra cá pra discutir música, literatura, política, futebol. Isso é, quando tinha futebol, né. Porque hoje em dia não tem mais futebol, não. E pra discutir política era só de esquerda. Porque tudo que vem da direita não presta.

Lucas
- E o que realmente diferencia o bar dos outros e atrai fiéis clientes?

Alfredinho
– É isso, o bom papo, a boa amizade...e a boa música, principalmente. Aqui só toca fera da música. Outro dia mesmo um amigo trouxe um sanfoneiro do Nordeste pra cá... o cara tocava pra cacete! Mas o mais importante mesmo é a amizade. O Bip é um bar pequeno. Escuta essa: outro dia eu resolvi fazer uma contabilidade de quantos casamentos saíram daqui. Contei dezenove! Dezenove casamentos saíram aqui do bar! (risos)

Lucas
– Quando o senhor comprou o bar, ele já tinha esse nome? Possui algum significado especial?

Alfredinho
– É, quando eu comprei já era Bip Bip, mas nunca soube por que. Muito tempo depois que eu fui descobrir. Uma vez conversei com uma senhora, e ela me disse que era irmã de um dos fundadores. Aí ela me contou que o nome é porque o bar foi fundado em 1968, ano complicado, inclusive. Enfim, ela me contou que o nome do bar é uma homenagem ao lançamento do satélite russo Sputinik.

Lucas
- Apesar de tradicional, o bar é freqüentado por muitos jovens. Por que você acha que isso acontece?

Alfredinho
– Musica boa, basicamente. Aqui é um dos poucos lugares do rio que tem música boa. Eu gosto muito de vocês, dos jovens. E graças a Deus, vocês estão gostando de samba. Os jovens que vem aqui tem um papo muito bom também, tem um bom QI, sabe.

Lucas
– O Bip Bip já tem três livros né? Da onde surgiram esses projetos?

Alfredinho
– O primeiro livro foi um amigo aqui do bar mesmo que fez. O segundo já foi mais pensado, preparado. O Pimentel, Marcel Vieira e o Chiquinho que trabalharam nele, contando várias histórias daqui. O terceiro foi agora pra comemorar os 40 anos do bar. Eu queria reunir 40 freqüentadores do bar pra escrever cada um um conto sobre o Bip . Só que acabou que 250 queriam escrever! Todo mundo quer escrever sobre o Bip Bip. Acabou que fechamos em 160, e foi isso aí.

Lucas
- Se as histórias continuarem, podemos contar com mais livros?

Alfredinho
– (risos) Com certeza! E como a gente já tá ficando velho demais, quem vai fazer e contar essas histórias são vocês, os jovens!

Com essa frase esperançosa, a entrevista chegou ao fim. Deixei o Bip Bip ouvindo pelas costas os senhores começando a discutir a obra de Chico Buarque e com a incrível sensação de que há lugares no Rio que valem a pena a conferida, e de que não há nada melhor do que bater um papo com velhinhos que sabem das coisas.

Multishow Registro: Vanguart – Uma lição musical para as novas gerações




Se você nunca ouviu falar na banda de Folk-Rock Vanguart está por fora de um dos últimos mais belos achados originais da música brasileira. Saída do improvável cenário musical de Mato Grosso, a banda, liderada por Hélio Flanders, está na estrada desde 2005 e já gravou um cd que saiu pela revista Outracoisa, além de 2 Eps feitos anteriormente. A Vanguart chamou atenção por suas canções melodiosas e bem arranjadas, com influências variadas que vão de Beatles, Bob Dylan e Velvet Underground a Tom Jobim e Dorival Caymmi. Outro fator que conta pontos à favor da banda são as letras semi-geniais e muitas vezes sem muito sentido aparente de um, ora perturbado, ora romântico Hélio.
Lançado pelo esperto selo da Multishow, que parece voltar-se para música de qualidade, raridade nos dias de hoje, chegam às lojas esse mês o cd e DVD Multishow Registro: Vanguart. Contendo uma mistura de músicas antigas e já conhecidas dos fãs com algumas novas composições, a banda acerta nas excelentes participações especiais. Com exceção do infeliz dueto com a menina-prodígio Mallu Magalhães, (que ninguém agüenta mais, só os fãs dela) que ao meu ver, estraga um hino à desilusão amorosa, a ótima “ The Last Time I Saw You” que tem um clima “dylaniano” inegável.
Gravado em Dezembro de 2008 em São Paulo, o show passa toda a presença de palco e coerência dos garotos de Cuiabá, que cada vez mais aparentam criar um novo rumo para o rock atual. Este que por sua vez tem caído na mediocridade e falta de criatividade de bandas pop já consagradas até os fracos grupos Hardcore – que fazem a cabeça da geração 'Malhação'. Aliás, iniciativas como a do Multishow deveriam se tornar mais comuns, com o objetivo de mostrar aos jovens que existem alternativas no Brasil, e que não é só nas músicas antigas que repousam grandes compositores.
O cd começa com a incendiária e mais famosa canção da banda, “Semáforo”. Com um refrão grudento e letra com fortes conotações surrealistas, essa é a música carro-chefe da banda. Seguida pela inédita “Hemisfério”,e a deliciosa “Enquanto Isso na Lanchonete”, a Vanguart mostra que sua criatividade não se esgotou no ótimo primeiro cd e que seguem fazendo músicas sem perder a qualidade. “Miss Universe” e “Cachaça” animam o público, composto de apenas alguns fãs da bandas e críticos, que cantam junto e batem palma em alguns momentos. É nessa hora em que a banda nos surpreende e apresenta uma original e animada releitura da famosa “ O Mar”, de Dorival Caymmi, falecido 4 meses antes da gravação. “Robert”, “ Last Days of Romance” e “Entre Ele e Você” completam o time de músicas inéditas e chamam atenção pelo acompanhamento de um quarteto de cordas, que dá um clima grandioso e refinado ao show. Destaque também para a participação de Luis Carlini tocando guitarra havaiana no neo-blues “You Know Me So Well”, criando uma atmosfera quase que californiana sessentista, remetendo aos Beach Boys, outra inspiração nas composições dos cuiabanos.
Ainda estão incluídas a agitada “Hey Yo Silver”, a brilhante “Los Chicos de Ayer”, cantada em espanhol e “Para Abrir os Olhos”, que fecha o show de maneira primorosa e apresenta de certo modo um recado para o cenário de rock atual do Brasil: Abram seus olhos (e seus ouvidos).

Ventura

ven.tu.ra substantivo feminino

1. prosperidade
2. sorte
3. risco
4. perigo
5. felicidade


Minha palavra preferida